"Toxicity"

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Toxicity surge como um álbum extremamente esquizofrênico, à revelia de seu antecessor, bastante uniforme (de um jeito até maçante). Por um lado, ele se mostra uma continuidade de System of a Down, com músicas que muito lembram o trabalho anterior do grupo. Nessas composições, a sonoridade, porém, soa menos exaltada; a relação que se constrói é óbvia e não é. Continuidade, mas ligeira revisão. De todo modo, essas músicas, a maioria, se parecem bastante entre si, Tankian abusa da gritaria, como no disco de 98, e pouco empolga nelas.

Há, contudo, uma parte do álbum na qual se percebe alguma mudança, e significativa. Essa parte tem nomes: Chop Suey, ATWA, Shimmy, Toxicity, Psycho e Aerials. Nessas músicas, é concedido ao ouvinte um respiro — seguido de uma fuga do fôlego — e outro respiro. São canções que não se prendem aos modelos já conhecidos pela banda, embora usem deles e apontem também para algo além. São músicas com ritmo, com alguma "gritaria", até, mas sem dúvida melhor pesadas. E por serem diferentes e realmente de qualidade, essas músicas se colocam noutro espectro da obra.

Toxicity, portanto, é um disco único de duas faces; não opostas, mas representativas de propostas, em primeira análise, diversas. Ao menos o teor inflamado do álbum anterior foi posto de lado em favor de algo mais descontraído, mas este trabalho não passa sem deixar a impressão de ser obra de transição (coisa que não se confirma, tendo em vista a monotonia geral do terceiro disco do grupo, Steal This Album!).

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